Marilyn Monroe, 100 anos

Podcast do Público 


 

 

A vida post-mortem de Marilyn vai de vento em popa. Retrospectivas, livros... Em No Escuro perguntamos: o que continuamos a procurar nela que não procuramos noutras estrelas da Hollywood clássica?

Quando morreu, na madrugada de 4 para 5 de Agosto de 1962, na sua vivenda de estilo mexicano na 5th Helena Drive, em Brentwood, Los Angeles, dificilmente se apostaria que a vida de Marilyn Monroe (nascida a 1 de Junho de 1926 faria cem anos daqui a dois meses) estava para durar.

Reparem: o MoMA de Nova Iorque realizou uma retrospectiva em Março, abrindo o programa Marilyn Monroe: Celluloid Dreams com O Pecado Mora ao Lado, de Billy Wilder, realizado em 1955, ano que foi, entre todos, o mais decisivo para a imposição de Marilyn como estrela planetária. O programa contemplava na placidez do seu roteiro comemorativo de centenário, um ciclone: Mulholland Drive, de David Lynch, ou o diálogo de Marilyn com um dos grandes títulos do século XXI.

É isso: ela não parou de nos falar. O que terá para nos dizer? O que continuamos hoje a procurar nela? Porquê o impulso de a resgatar, de a salvar, de provar que estava ali um dos mais luminosos, intuitivos talentos que a luz do cinema desvelou?

Junho será o mês Monroe no Batalha Centro de Cinema, no Porto, no ciclo O Verão de Marilyn, com os seus clássicos.

Mais do que os clássicos, a retrospectiva que decorre até 14 de Maio na Cinemateca Francesa em Paris propõe títulos mais desconhecidos, como We're Not Married, de Edmund Golding (1952), Clash by Night/Desengano, de Fritz Lang, Love Nest, de Joseph Newman (1951), o encontro de Monroe com os irmãos Marx, Love Happy (David Miller, 1949) ou uma interpretação de babysitter desequilibrada, ao lado de Richard Widmark, no huis clos Don't Bother to Knock/Os Meus Lábios Queimam (1952), de Roy Ward Baker.

É este título pouco conhecido, um dos raros papéis dramáticos de uma carreira que em 1952 ainda só tacteava, que abrirá a 5 de Maio o ciclo Quem és tu Norma Jean? 100 anos de Marilyn Monroe, na Casa Comum da Universidade do Porto.

While the City Sleeps, Quando a Cidade Dorme, um noir de John Huston, inaugurou por sua vez nesta quinta-feira o ciclo da Leopardo, que se desenrolará no Cinema Nimas até 13 de Maio.

O mundo viu-se a (re)descobrir Marilyn Monroe. É das figuras mais perenes, duradouras, da fábrica americana chamada Hollywood. É mais respeitada, mais consensual hoje do que quando morreu, no início da década de 60, a década, repare-se, que apagou o brilho das estrelas que havia no firmamento. Foi adoptada por diferentes vagas de feminismo. Tem direito a extensa bibliografia, biográfica, ensaística, ficcional (Joyce Carol Oates fantasiou-a em Blonde) e fotográfica. Foi revisitada por grandes fotógrafos em várias "fases", tal como as de um pintor: George Barris, que a fotografou pela última vez na praia de Malibu, Richard Avedon, Bert Stern, com a esplêndida série The Last Sitting, ou, a que mais tentou resgatar a sua humanidade, o conjunto melancólico de fotos de Milton Greene.

Uma das maiores fãs de Marilyn é a actriz Catherine Deneuve, que em Maio juntar-se-á à edição francesa de um livro, Marilyn chérie (Flammarion). Texto de Deneuve, fotografias pouco conhecidas de Marilyn da autoria de um produtor e fotógrafo seu amigo, Sam Shaw, cenas de rodagem e de testes de guarda-roupa. Um excerto escrito por Deneuve, que a imprensa francesa tem reproduzido: "Perante os fotógrafos era tão generosa com o seu corpo, o rosto inclinado para trás, algo de infantil também, que nada nela era indecente."

No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).


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