Dia Internacional dos Dinossauros – O pezinho de lã do dinossauro
Miguel Esteves Cardoso para o Público.
e uma ilustração do xkcd, sempre imbatível.
O
pezinho de lã do dinossauro
Quando
passeava pela Praia Grande com as minhas filhas, um dos meus números mais
apreciados era fazer de dinossauro, com os dedos esticados, imitando as pegadas
das rochas. Ribombava com cada passo, plantando as minhas patas como se
quisesse esmagar a areia.
Quem
diria, passados estes anos todos, que eu estava enganado? É que, segundo as mais recentes análises das pegadas de dinossauros, eles
não plantavam o pé todo.
Andavam
em bicos de pés. De tal maneira que eram 20% mais rápidos do que se pensava.
Mais rápidos e mais sorrateiros, porque assim faziam muito menos barulho.
Para
quem teme estar num piquenique a roer uma perna de frango e, sentindo qualquer
coisa nas costas, virar-se e dar com um tiranossauro, não será bem-vinda esta
notícia tão sub-reptícia e reptilínea.
É um
preconceito associar o peso à lentidão. Um urso, lamento dizer, apanha com
facilidade um campeão olímpico dos cem metros. Enquanto este atinge 45
quilómetros por hora, os ursos atingem 48 quilómetros por hora. E, se for
preciso – que nunca é, para apanhar humanos –, atingem 50 ou mais.
O erro
dos ursos, está visto, é assentar a pata toda. Porquê? Malta: olhem para os
dinossauros. Ou para as chitas, que, sendo capazes de atingir os 110km/hora,
são capazes de correr mais depressa, fazendo bem as contas, do que dois ursos
inteiros.
Pode-se perguntar dos dinossauros herbívoros se era preciso correr tão depressa para apanhar um campo de magnólias.
Mas não eram as deliciosas magnólias que se mexiam: eram os outros dinossauros, mal um deles exclamava: "Não acredito! Está ali um campo de magnólias a perder de vista!"
A lição para nós? Que a velocidade sem silêncio perde o factor-surpresa. E que, não plantando o pé, mas somente os dedos, é menos provável que se pise o que não se quer.
Mapa do Dinoparque, porque sim :)


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