Publicado em De Rerum Natura Uma estudiosa cabo-verdiana, doutoranda numa universidade norte-americana, Vanusa Vera Cruz, julgou, aliás em termos louvavelmente moderados, descobrir no romance Os Maias traços de racismo numa fala de João da Ega, dirigida ao funcionário superior da Instrução pública, Sousa Neto. Para começar, é de um primarismo clamorosamente lamentável, ainda mais numa doutoranda, confundir as opiniões de Eça com as opiniões dos personagens que congeminou para a sua soberba comédia humana. Imagine-se confundirmos Shakespeare com Macbeth, Victor Hugo com Javert ou Eça com o Conselheiro Acácio! Confundir as opiniões dos personagens com as do seu criador é sempre um erro de palmatória e faz lembrar aquele espectador que não conseguia dissociar o actor do personagem que, no palco, encarnava e, no final da peça, indignado com o comportamento do “vilão”, subiu ao palco e deu um arraial de pancada ao actor que o representava… Aliás, uma leitura que nem pre...